7.05.2006

Um diálogo sem ouvinte

Fique perto.
Perto, perto, perto.
Tão perto que eu possa sentir tua respiração. Que possa sentir o cheiro dos teus cabelos, ver os poros da tua pele, as veias nos teus olhos. Perto. Muito perto.
Porque perto tu não me escapas, porque tão perto eu te agarro e te tenho o tempo todo, todo o tempo.
Perto assim meus olhos míopes te vêem. Perto assim meus ouvidos ruins te ouvem. Perto assim minha boca úmida te beija.
Por favor, chega mais perto. Porque os segundos passam e os momentos vão embora, e aí tu somes e eu não te tenho mais, nem que seja por um instante.
Chega perto, me beija, me abraça, me agarra, me diz qualquer bobagem.
Perto, porque depois a lua vai embora e o sol chega queimando tudo, apagando sombras e escondendo a paz.

Chega perto, mais perto.
Quase assim.
Chega mais.
Ainda mais.
Mais.
.

4.20.2006

E então...

... a noite chega e eu sinto a falta dele.
... entro no quarto e o vejo lá, lindo sorriso no rosto e braços prontos a me apertar.

E tudo faz sentido.
E vejo que tudo valeu a pena.

E ainda vale.

3.01.2006

Perguntas sem ação

- Já te sentiste derreter?

Sentir-se derreter me parece de um etéreo úmido. É diferente do sentir-se morrer. Essa sensação não quero mais, não.
Derretendo fica-se sem ação. Mas de um estranho jeito bom.
O corpo parece mal se mover, ainda que os dedos corram pelos teclados e mesas e canetas e mouses.
A mente flutua, sem se prender a nada, e ainda assim é bom.

Minha pele parece líquida. Parece se liquefazer... junto com os pensamentos bons e ruins que sempre me rondam.

Meus olhos se movem a uma velocidade lenta.
- Já imaginou aquelas ondas lentas, se existisse um oceano feito de chocolate quente?
É nessa velocidade que me sinto mover.

É quase nessa velocidade que me sinto viver.

1.19.2006

Loteria

Par: dia ruim.
Ímpar: dia bom.

Um... dois... três... e...

sempre fui péssima em matemática.