3.23.2005

Amor sem dizer

Sabe, eu te amo nas pequenas coisas. Teu cabelo molhado entre meus dedos. O silêncio antes de dormir. Tua pele quente esquentando a minha, sempre tão fria. O brilho quase triste do teu olhar.
Sabe, eu te amo nas grandes coisas. Tua mão secando minhas lágrimas quase eternas. O amor macio e delicado preenchendo a vida. Teu olhar tão doce, quase estrelar. O calar tão eloqüente quanto o falar.
Sabe, eu te amo num quase nojento clichê. Meu sempre perder nos teus braços. Teu nunca aceitar meus fracassos.
Sabe, eu te amo.
Amo. Pelas pequenas grandes coisas. Pelas grandes pequenas coisas. Pelos clichês. Pelo meu nunca saber o que dizer. Porque teu amor me faz não ter o quê mais dizer. Não ter o quê mais confessar, o quê mais falar, explorar, adorar, amar.
Somente declarar:

teu amor faz abrir minhas asas para voar.

3.08.2005

Memórias de um arquivo (quase) morto

Shhhhhh... (porque a mente ainda suspira? Se eu te pedi que calasse... e não mais julgasse!
E nem toda palavra é concreta, como nem toda reta é certa, e nenhuma poesia é toda bela.
Vidas corretas... para quê? Verdades certas... em quê?
SHHHHH! que eu não espero mais ser!)

Que pensamento há frente uma vida toda completa e repleta de incertezas certezas?

Que atitude - vida minha! - haveria em (re)contestar todo um mundo de burocratas mentiras, tolas verdades, sempre metade.

Que nem toda metade se junta. Que nem toda mentira é imunda. Que toda verdade tem algo de impura.

...

Desejei um dia que toda palavra fosse eterna. Suspirei que certezas fossem sempre retas. E que neologismos fossem corretos.
Pena de mim.
Pena de mim que descobri não ser. Sequer ter. Jamais temer.

Mas sempre ver. Quase crer. Me temer.

3.02.2005

Loucuras... sinceras?

Tristes aqueles que, num sadismo pseudo-poético, não crêem nas loucuras alheias...

Que não acreditam naquelas doces loucurinhas, que todos temos. Que as escondem, por medo, temor, vergonha, ou qualquer outro sentimento fútil e dispensável.

Pobres de espírito? Não sou nada para julgar. Mas que tristeza sinto por aqueles que acreditam piamente serem... normais?!

E em dias tolos, num lugar lotado, riem e disfarçam quando um, livre de pré-conceitos, deixa sua loucura aflorar.

Que triste o mundo daqueles que não sabem ser livres.
Livres até mesmo de si.

obs. análogas.: escrito num momento de absoluta "loucura".
Não sei eu o que significa... para que pensar sempre?