7.05.2006

Um diálogo sem ouvinte

Fique perto.
Perto, perto, perto.
Tão perto que eu possa sentir tua respiração. Que possa sentir o cheiro dos teus cabelos, ver os poros da tua pele, as veias nos teus olhos. Perto. Muito perto.
Porque perto tu não me escapas, porque tão perto eu te agarro e te tenho o tempo todo, todo o tempo.
Perto assim meus olhos míopes te vêem. Perto assim meus ouvidos ruins te ouvem. Perto assim minha boca úmida te beija.
Por favor, chega mais perto. Porque os segundos passam e os momentos vão embora, e aí tu somes e eu não te tenho mais, nem que seja por um instante.
Chega perto, me beija, me abraça, me agarra, me diz qualquer bobagem.
Perto, porque depois a lua vai embora e o sol chega queimando tudo, apagando sombras e escondendo a paz.

Chega perto, mais perto.
Quase assim.
Chega mais.
Ainda mais.
Mais.
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