8.30.2004
Para ele e ela
Mas apesar de todos os obstáculos. Apesar da distância. Mesmo com brigas superficiais e ciúmes escondidos e medos bobos eles se amam. E como em todo e qualquer amor, aconteceram momentos bons. Conversas boas e confidências sinceras e elogios macios. E poucos tristes momentos ruins. Desconfianças vãs e acusações tolas e discussões duras.
E mesmo com todos os pesares eles acreditam. Crêem na paixão e no amor e no carinho. Desejam e depositam esperanças e sonhos um no outro. Desejam-se ardentemente como somente jovens apaixonados podem. Trocam juras de amor e palavras eternas de afeição.
E são felizes. Conheceram o amor sincero e a paixão escondida. Querem agora o amor inteiro e a paixão louca. E contam dias e horas e minutos e segundos para isso. E se amam. Hoje e, acreditam, sempre.
8.29.2004
Mais ou menos
"Porque o amor não pode ser somente uma ilusão coletiva!"
Foi o que ela disse. E naquela simples e clara frase se descobriram os medos de todos. E foi como se a bela noite se tornasse confidente e conselheira e mãe e irmã e amante e amiga e inimiga de todos e de cada um.
E para outra ela poucas muitas coisas se tornaram claras. Frases soltas e lúcidas e bêbadas surgiam na mente confusa.
Que sabe o que quer.
E soube que lutara tudo que podia.
E que não dera certo.
E outra vez chorara e sofria.
E ainda mais essa vez mais levantara a cabeça.
E mais uma outra vez tentara continuar sua louca simples vida.
Mais e mais uma e outra vez ele voltava, com olhos como de um fantasma tolo assombrando e assustando e relembrando o tudo e o nada. E outra e outra vez aparecia e se mostrava e... não a deixava continuar. E ela sufocava, e se sentia presa e desfalecendo e desistindo e morrendo.
E ela já não sabia agora mais nada. E sinceramente chegara ao limite extremo do cansaço.
E a fria noite não sabia o que aconselhar.
8.27.2004
Porque areia são somente pedras pequeninas
E por tanto tempo acreditei ter razão. E usei palavras duras e cruas. E me apoiei nos meus poucos anos e nos teus tantos a mais. E me baseei em experiências vazias e tristes. E desejei a insanidade.
E neguei tanto... e senti-me tão feliz ao ver que concordavas e aceitavas. Que me vias certa. Que me querias com razão.
E por tantos dias e tardes e noites me acreditei inteira. A teimosa rebeldia boba que tanto reclama(va)s não me deixa(va) ver.
E ainda continuo rebelde e teimosa e boba. Mas agora assumo. Porque quem não tem mais objetivos sou eu. Quem não sabe mais onde ir e o que fazer e desejar e viver e querer sou eu mesma.
E agora quem roga à noite fria e à lua tola que lhe mostre qualquer viver, sou eu.
E agora nesse instante sou somente e simplesmente eu que te peço sinceramente e publicamente desculpas. E te confesso que tudo que disse e toda acusação que fiz foi somente reflexo de loucos medos. Um temor (in)fundado de uma vida que nem sabia desejar. Um medo de aceitar o que nem sabia que não queria.
Um medo confuso e difuso como estas frases soltas.
8.25.2004
Lábios mentirosos
E quando olhasse para ti não visse nada, nada além de olhos verdes num rosto bonito? E se te beijasse e só sentisse a umidade da tua língua e a maciez da tua boca e a pele dos teus lábios? E quando chegasse perto e te tocasse e te sentisse e não te amasse, e tu fosses então apenas mais um entre tantos cheiros incomuns?
E então tu me olharias, sei tão bem disso. E me dirias que era isso que querias, isso que tanto desejaras e sonharas e pediras e imploraras. E exatamente dessa forma tuas palavras soariam através da tua boca até meus ouvidos. Mas não até minha/tua alma. E pelos teus olhos saberia que mentias. Porque eles te traem, como sempre traíram... ah, e os conheço bem demais para que me enganem mais.
Porque teus olhos me implorariam que te beijasse só mais essa vez, e sentisse só mais uma vez a docilidade de sempre e de nunca e de todos os tempos. E é nessa hora que tu me mentirás. E me dirás que não, jurarás que não, nunca jamais me desejastes me quisestes me amastes.
E aí te direi que já não me importa.
Porque agora eu é que não te quero mais.
8.24.2004
Prazeres (quase) proibidos
Não me dá esse olhar. Nem vem com esse sorriso cafajeste. Que eu tô quase, quase caindo...
Sai daqui com esse jeitinho simpático. Com essa voz rouca. Esse cheiro impossível.
Sai daqui que tu não podes fazer isso... que tu não presta, e eu menos ainda por não dizer que não.
Ah, sai daqui tentação! Que a vontade de dizer que sim aumenta. E tu bem sabes que eu não quero nada contigo, só agarrar teu corpo e sugar tua alma e beijar tua boca.
E nada mais me prende para o não. Só minha consciência. E essa já está tão longe, longe...
Então não chega perto não... que daqui a pouco eu não agüento...
E aí a culpa vai ser grande... e o prazer também.
8.23.2004
Irreais lembranças
Quis tanto esquecer, que até doeu. Doeu quando comecei a esquecer de verdade. Já não lembro bem da tua voz, e ela parece estranha quando me ligas. Não lembro do gosto da tua boca. Apenas a docilidade dos lábios. E de tantas perguntas quero respostas... Teu cabelo enroscava nos meus dedos? Teus olhos são verdes com pontos azuis ou amarelos? Qual é o tom exato da tua pele? Tuas mãos são ásperas ou macias? Eu que já soube responder tudo isso, hoje só tenho letras frias e soltas na tela de um computador irracionalmente comum.
Mas então penso: fui eu que quis, eu que desejei tanto tudo isso...
Mas agora que está acontecendo... quis mesmo isso tudo tanto?
Quero mesmo me afastar daquelas boas bobas lembranças? Preciso mesmo te manter tão longe daqui? Não sei. A garota que sempre soube o que escrever está confusa. Não sabe que combinação de palavras usar. E que tal ser tua a vez de responder? Através destas teclas irreais que te separam de mim.
Eu te espero. Como disse que esperaria.
8.19.2004
Para ninar
E o belo príncipe tentou a sorte com a nova paixão. E a bela princesa tentou tomar sua vida de volta. E nenhum conseguiu. Tu podes cometer erros, podes ser até um ser humano comigo. E não importa, eu te amarei ainda assim. Mesmo assim. Por ti e por mim. O príncipe não conseguiu porque era tão teimoso quanto a princesa. A princesa não conseguiu porque desistiu do príncipe e de todo amor.
E o príncipe saía pelas noites escuras imaginando se o amor andaria por ali. Antes de nos encontrarmos éramos apenas metades vagando perdidas pelo mundo, com uma falsa cobertura na parte que nos faltava, preenchendo vaziamente nosso espírito. E a princesa olhava para a lua e pensava que amor algum existia ali. E se o amor de nossa vida estiver longe, tão longe e nunca o encontrar? E se estiver tão perto, e meus olhos frios estiverem tão errados ao vê-lo, que vendo-o não o reconheça como amor? E ele tentava não pensar mais. E ela tentava fingir que não lembrava mais.
... um minúsculo papel voa. Está molhado, amassado da crueza das noites e dias de chuva. Os olhos verdes o miram. As lágrimas acompanham o movimento lento do vento no papel. A mão chega perto. Tremendo.
Preciso de asas para fugir de todo amor. E para voltar ao amor. E para ti.
8.18.2004
Quase monólogo
- Deixa de ser fresca e fica quieta.
- ...
8.16.2004
Surpresa de margaridas
Um encontro nada planejado, uma conversa tão boa. Uma possibilidade de algo mais. A confirmação da certeza do nunca mais. E a liberdade de tudo, e então soltam-se as antigas e enferrujadas amarras. Restam apenas as novas/inúmeras/futuras/urgentes possibilidades deliciosas. E a necessidade da urgência. De um encontrar de novo. Da confirmação do reconhecimento.
E o novo que tanto me assustou... escaldante euforia agora. Vai noite, passa que eu não te quero. Vamos dias, passem, corram, que preciso que outros dias cheguem... que desejo tanto as novas confirmações de tudo que prometestes!
Mais uma vez, acompanhada de margaridas...
8.14.2004
Gatinho assustado
Fogo me fascina. Brinco com fósforos. Vou até o fundo no mar. Ainda não aprendi a nadar. Ando sozinha na rua, qualquer hora da madrugada. Não presto atenção nos carros. Não os enxergo. Me penduro das sacadas mais altas. Quisera saber voar.
Tenho medo de amores loucos. De beijos roubados. De paixões cegas. Me amedrontam vidas prisioneiras. Entro em pânico em apenas dormir com outra pessoa.
Meu medo é perder o controle, de cair. Não é de me atirar, se preciso for, caio de braços abertos. O que me apavora é cair sem saber.
8.13.2004
Olhos de luz
Amor não quero mais. Mas desejo minha luz de volta. Não te quero mais; me quero de volta, inteira.
Que esses olhos sem vida vão embora. Não os quero mais. Decidido hoje, publicamente, como tantas outras vezes: minha vida de volta, sem ti, sem ninguém. Somente eu. Como sempre fui!
8.12.2004
Mentiras sinceras
- Não minto (ja)mais. Mentir pede energia, e a minha toda escorre-me pelos olhos.
8.11.2004
Lágrimas ao acordar
Ela abre os olhos e passa os minutos seguintes espreguiçando cada parte do corpo, cada músculo atrofiado pelo sono. Abraça o travesseiro, e decide que já é hora de levantar. Com os pés descalços, sente a temperatura do quarto acarpetado e compara com os frios azulejos do banheiro. E então ela chega ao espelho. A miopia não lhe permite profundas avaliações da distância “normal” que as pessoas se miram em superfícies polidas. Precisa sempre chegar mais perto.
Então ela quase encosta o pequeno nariz no espelho. A respiração sempre o embaça - ainda mais nesse inverno gaúcho. Quando a imagem volta ao normal, observa seu rosto. O comprido cabelo sempre desarrumado, caído em seus olhos. Sua boca seca durante a noite. A delicada pele dos lábios racha, se machuca. Parece estranho, mas são mais bonitos assim. Não, ‘bonitos’ é a palavra errada. São mais ... ‘autênticos’ assim. Pela manhã, sua branca pele está lisa, o frio ainda não a violentou o suficiente para ressecá-la - como invariavelmente acontecerá ao final do dia. Mas o que mais gosta de observar são seus olhos.
Os belos olhos quase cegos. Tão expressivos durante o dia... tão pequenos agora - culpa da sonolência. Nas manhãs, eles adquirem uma estranha coloração. Cor que não se decide nem pelo sincero verde, sequer o traiçoeiro azul. Aparentam alguma indefinida cor entre esses tons. Junto aos olhos, ela tem rastros em seu rosto. Ela chora quando dorme. Derrama lágrimas em seus sonhos. Todas as manhãs, ela tem pequenos resquícios dessas emoções no canto de seus olhos.
E é isso que a faz gostar de si especialmente nessa hora, nesses cinco minutos após acordar. Adora saber que nesse momento, é apenas ela. Unicamente ela. Autenticamente ela. Sem qualquer máscara. Somente há ela com os cabelos desgrenhados, os lábios machucados, os olhos sujos. Somente ela com a alma leve, a mente solta e o corpo descansado. Com toda beleza da alma em seus olhos.
Só que então os minutos de contemplação precisam acabar. E ela ajeita os cabelos com as mãos, e os prende para que os teimosos fios não a incomodem. Lava o rosto e apaga qualquer vestígio das lágrimas sonhadoras. Umedece os lábios e acaba com sua autenticidade. No restante do dia, ainda será ela. Será ela com os inquietos olhos verdes. Com batom e lentes de contato. Até o fim do dia, ainda será apenas ela. Ainda ela, um pouco mais cansada. Ela com idéias borbulhando na cabeça, e a alma um pouco mais pesada. Com toda beleza de seus olhos pela alma.
Até o próximo secreto encontro matinal com o espelho. E a volta de suas lágrimas.
8.10.2004
Fast-food de paixões
Paixóes insensatas me invadiram. Todas elas, uma a uma, exilei em um canto escuro e poeirento de minh'alma. Mais esta lhes fará companhia. Mais uma para espanar o pó, caso um dia resolva revivê-la/reavivá-la/apagá-la/matá-la.
Ao mesmo tempo, e por isso talvez, que estas sensações parecem mais e mais estranhas, segundo a segundo.
Perdi uma paixão e ganhei uma boa amizade. Paixões deram-me sempre lágrimas + sofrimento. Amigos sempre oferecem alegrias + sorrisos.
Não me sinto triste (MENTIRA!) assim. Parece-me que não nasci para apaixonar-me. Penso às vezes que apareci nesse mundo não para ser amada, mas para distribuir minhas gotículas de afeição.
Sendo assim, desisto. Nesta fria noite, publicamente, temporariamente, indefinidamente, de amores. Fujo daqueles braços nos quais e pelos quais tantas salgadas lágrimas derramei. E que também (desculpe!) fiz e faço sofrer, mesmo sem desejar. Corro de encontro a meus bons e fiéis amigos. E por eles rio e me alegro, porque sinceramente o querem fazer comigo. E por eles e para eles, porque o desejam, os farei rir com minhas tristes palhaçadas.
E assim, agora, mudo minha alimentação. Não mais ração de beijos, sexo e abraços-pós.
Agora só quero fast-food de gargalhadas, olhares e sorrisos-fáceis.
8.08.2004
Vermelho-beijo
Mordo e o sabor invade minha boca. Gotas escorrem pela pele, sangram docilidade.
Mas agora só me sobra a aspereza inicial. Ou minha última chance de decorar o gosto de morangos... doce, cítrico, suculento... e então, escorregue pelos meus lábios. Pela última vez.
Mal consigo esperar.
8.07.2004
Para almas confusas
8.06.2004
Por um dia mais suportável
Alguns dias trazem surpresas. Outros te darão surpresas. Alguns te farão tomar decisões surpreendentes.
Decisões tristes... quando ela decide que precisa deixá-lo. Quando ela finalmente aceita o que o mundo lhe gritava: que amores nem sempre são correspondidos.
E ela sabe que isso a fará sofrer como não se lembra de ter sofrido em outro dia de sua vida. E sabe que esse sofrimento não será passageiro. Conscientiza-se que a dor vai ser horrível, quase insuportável. Mas aceita. Aceita que lágrimas serão sua companhia pelas próximas várias frias noites. Talvez por todas as noites.
- E se eu te beijasse agora?
- Eu não deixava. Teus beijos tem sabor de fel agora.
Apenas mais uma vez vou te encontrar. Mas não me faça chorar mais...
8.02.2004
Iniciando os trabalhos...
O que será visto aqui? Apenas minhas loucuras passageiras, meus pensamentos eternos... apenas eu.
Ou então me cansarei disso em três ou quatro dias, e nunca será atualizado. No momento, espero que isso não aconteça. Veremos.