12.21.2005

Sonhos divididos

Alguns dias chove demais. Lá fora e aqui dentro de mim.
Alguns dias, a água entranha na pele. E os problemas também.
Alguns dias começam bem, com céu azul e beijos. Mas as nuvens levam poucas horas para mudar mundos.

E então o céu fica cinza, gotas caem, cenhos se franzem, coração palpita.
Mas o dia termina. Sempre termina.

Volto para casa e vejo um arco-íris.
(tudo sempre pode acabar bem)

...

Recado cor-de-rosa: "Há uma surpresa esperando por ti na cozinha. Adoro compartilhar meus sonhos contigo, mesmo quando recheados de creme e cobertos de açúcar..."

11.29.2005

Areia contando tempo

Quando o tempo na ampulheta acaba, sempre restam alguns grãos de areia na parte superior. É como se um restinho de tempo não quisesse correr. Claro que isso é apenas reflexo de alguma relação de estática e movimento no vidro.
Mas como meu ofício é escrever, e não entender leis de física, minha mente gira e voa pensando nos pequenos grãos agarrados ao vidro.

Nos meus poucos anos de vida, o tempo sempre foi bem generoso. Mas assim como a todos, a mim também pareceu que os momentos bons corriam como areia fina entre meus dedos, enquanto que as horas ruins me faziam crer que todos os relógios do mundo haviam quebrado.

Agora, sozinha num quarto estranho, os ponteiros e areias congelaram.
Mais tarde, quando minha pele encontrar os lábios dele nesse mesmo quarto acolhedor, as horas vão voar...

10.26.2005

Algumas saudades

Existem momentos que nunca são apagados. São únicos, rápidos como um leve bater de asas...

Algumas lembranças vivem de sabores de infância, preguiças na cama, conversas e flashes.

Salgadas lágrimas pela pele e palavras soltas, medrosas com a promessa de uma talvez vida vã.

Outras, de salivas roubadas, toques lacrados, olhares ousados.

Ainda assim, a esperança que toda vida jovem tem, de ter valido a pena. Mesmo tão breve, tão secreta, de minutos roubados de outros relógios e beijos tão infiéis.


obs. análogas.: Quisera ter tido mais tempo. Quisera ter dito mais, feito mais. Não pude, não podia, não devia. Mas ainda assim, sabes que tinha que ser desse jeito. E ainda assim, não me arrependo. - valeu cada momento -

10.08.2005

Recado direcionado

Ah, quanta falta me fazes!

Em dias frios e noites de tempestades, o abraço quente e os olhares me fazem tanta falta! E me batem saudades de tudo...E foram tão poucos os instantes ao teu lado!
Tão poucos, mas que aquecem minh'alma enquanto novos instantes não vêem...

E eu apenas desejo que os dias passem tão rápidos quanto os relâmpagos que brilham lá fora, e eu possa me perder em ti outra vez!

8.24.2005

Entre beijos amigáveis

Em noites vazias, pensamentos criam vida, sem respostas afins.
E chega um fim de noite (começo de dia?) com beijos secos, hálitos bêbados, olhares lúdicos, arrepios...

Quando, em tempos atrás, um simples singelo beijo, quase suspiro! arrepiaria toda minha pele, enrubesceria meus lábios, tremeria minha voz?
(quando meus dedos brincam com os lábios, a língua quase se trai, tenta fugir, e tão raros são os impulsos a contê-la)

Meu sangue lateja, quase borbulha... e eu agradeço pela fria pele que impede minha traição.

Entre jogos de palavras... línguas fantasiosas... mentes libidinosas... 'tudo que é bom nessa vida'. Com jogos de sedução... jogadas programadas, sem qualquer projeção...

E eu, que mal posso esperar. E ele, que mal ousa desejar.

8.12.2005

Entre sonos

Dorme, meu anjo...
Que vidas jamais serão tão tolas, tão vãs como aquelas...
Com suspiros fáceis e bocas frágeis, teu próprio ser mal aparece...

Dorme, minha criança...
Que então essa tua nojenta catatonia cede, e entre pesadelos tua vida segue, dia a dia, noite pós noite, com amanheceres frios e entardeceres pálidos.

Dorme, dorme, dorme...
Que loucuras como estas cessam, vidas como as delas morrem, e aí o silêncio cala...

Dorme.
E me deixa aqui.
Que o sangue já rareia dos pulsos...

Dorme, que logo te encontro.
Dorme, que cedo tudo acaba.

Dorme, que ainda agora eu morro.

8.02.2005

Palavras soltas

Querido diário,

Todas as últimas noites, eu ia para a cama, e era uma boa menina.

Noite passada, eu fui para a cama. E fui uma boa menina malvada.

com amor,

P.

5.31.2005

Porque preciso tanto de margaridas

Porque são simples.
Pálidas como eu quisera minha alma.
Suaves... como um beijo doce.

Elas alegram vidas com aparente fragilidade. Apesar de serem das mais resistentes flores.

São simples.
Como eu quisera tanto ser!
Com um cálido perfume quase imperceptível.

Por esses sutis detalhes, gosto tanto de margaridas.

Por esses enormes valores, preciso tanto de margaridas.

5.17.2005

Fundamentos de uma tal... antropologia

Me fale de antropofagia. De logias meu cérebro já vomita. Segrede-me carnes e sangue e instintos.
Fale-me sobre algo que não sei, não sobre homens e suas guerras púdicas. Jovens e suas dúvidas lúdicas, crianças e suas crenças únicas.

Deixe de perguntas ordinárias e úteis. Sacie meus desejos inúteis, quereres fúteis.

Ângulo de 90 graus no relógio. O silêncio ainda não se quebrou. Minha paciência esgotou.

- Fiquem com suas logias. Eu ainda prefiro minha própria antropofagia.

5.02.2005

Eu em dois

Ando desaparecida. Sei disso. Minha mente anda estranha. Confusa. Difusa.

Quando meu espírito não reflete o que sinto. E humores relapsos tomam conta de mim.

E ainda assim ele me apóia. E ainda assim ele me ama. E continua ao meu lado, me abraçando. Naqueles segundos impossíveis que só ele preciso, sempre está lá. Naqueles instantes que quero ninguém, ele ainda assim está lá. Só para mim, só por mim.

E eu desconfio que sempre estará.

obs. análogas.: eu te amo cada dia mais... desculpe por tudo, desculpe por mim, perdoe por nós.

4.13.2005

Poucas

Faltam-me palavras... abandonaram-me?
Elas que jamais fugiram...

Hoje numa escassez tão cálida quanto a chuva que não mais cai.

3.23.2005

Amor sem dizer

Sabe, eu te amo nas pequenas coisas. Teu cabelo molhado entre meus dedos. O silêncio antes de dormir. Tua pele quente esquentando a minha, sempre tão fria. O brilho quase triste do teu olhar.
Sabe, eu te amo nas grandes coisas. Tua mão secando minhas lágrimas quase eternas. O amor macio e delicado preenchendo a vida. Teu olhar tão doce, quase estrelar. O calar tão eloqüente quanto o falar.
Sabe, eu te amo num quase nojento clichê. Meu sempre perder nos teus braços. Teu nunca aceitar meus fracassos.
Sabe, eu te amo.
Amo. Pelas pequenas grandes coisas. Pelas grandes pequenas coisas. Pelos clichês. Pelo meu nunca saber o que dizer. Porque teu amor me faz não ter o quê mais dizer. Não ter o quê mais confessar, o quê mais falar, explorar, adorar, amar.
Somente declarar:

teu amor faz abrir minhas asas para voar.

3.08.2005

Memórias de um arquivo (quase) morto

Shhhhhh... (porque a mente ainda suspira? Se eu te pedi que calasse... e não mais julgasse!
E nem toda palavra é concreta, como nem toda reta é certa, e nenhuma poesia é toda bela.
Vidas corretas... para quê? Verdades certas... em quê?
SHHHHH! que eu não espero mais ser!)

Que pensamento há frente uma vida toda completa e repleta de incertezas certezas?

Que atitude - vida minha! - haveria em (re)contestar todo um mundo de burocratas mentiras, tolas verdades, sempre metade.

Que nem toda metade se junta. Que nem toda mentira é imunda. Que toda verdade tem algo de impura.

...

Desejei um dia que toda palavra fosse eterna. Suspirei que certezas fossem sempre retas. E que neologismos fossem corretos.
Pena de mim.
Pena de mim que descobri não ser. Sequer ter. Jamais temer.

Mas sempre ver. Quase crer. Me temer.

3.02.2005

Loucuras... sinceras?

Tristes aqueles que, num sadismo pseudo-poético, não crêem nas loucuras alheias...

Que não acreditam naquelas doces loucurinhas, que todos temos. Que as escondem, por medo, temor, vergonha, ou qualquer outro sentimento fútil e dispensável.

Pobres de espírito? Não sou nada para julgar. Mas que tristeza sinto por aqueles que acreditam piamente serem... normais?!

E em dias tolos, num lugar lotado, riem e disfarçam quando um, livre de pré-conceitos, deixa sua loucura aflorar.

Que triste o mundo daqueles que não sabem ser livres.
Livres até mesmo de si.

obs. análogas.: escrito num momento de absoluta "loucura".
Não sei eu o que significa... para que pensar sempre?

1.30.2005

Quase inocência

Infância boa... de brincadeiras solitárias, de barro nas unhas, arranhões dos galhos, cicatrizes nos joelhos. Infância de criança como toda criança. Como era bom...

Adolescência boa. De medos bobos, de suspiros tolos, feridas no coração, arranhões na alma. Adolêscência como qualquer uma. Era boa...

Ser adulto... quanto medo. Mais um ano, mais meses... mais tudo. Eu que sequer sei o que fazer, como saber o que querer? Que ainda quero manter inocência, e cada dia custa mais! Que mal perdi inocências, perco cada vez mais!

Não posso... mal sei se consigo. Mal consigo eu, como continuar? Eu que ainda não sei tudo. Eu que tenho tantos sonhos tolos, tantos quereres bobos, tantos amores duros!

Só que então, quando quase desespera, quando quase perde o rumo... lembrar de olhos escuros-vermelhos acalma. Sentir o aperto dos braços no peito, deixando quase sem ar.

- Desculpa Peter Pan, mas hoje eu fecho a janela. Cansei de ser Wendy. Deixa ser eu.

1.24.2005

Por um amor sem porquês

Interrogações inundam o ar, os sonhos, os pensamentos, o tudo. O lar, o amor, o carinho, o sangue. Daquele próprio sangue vêem as perguntas. E de um medo frio surgem as respostas sem qualquer real resposta.

Um amor que não se conta, que se esconde no mais protegido dos locais: à frente de todos. Um amor sem beijos, sem abraços. Apenas de olhares, de leves sorrisos. Porque o sangue espreita, quer saber e pergunta e sem sequer saber machuca.

Esses laços vermelhos que apenas querem a felicidade de seu próprio sangue... que sequer imaginam.... Felicidade que todos notam, poucos desconfiam, nenhum sabe, todos querem. Ah, se soubessem que felicidade maior é não querer saber, é não se importar, não perguntar! Curiosidade que não quer ser saciada, que talvez nem suporte verdades, e é mais feliz na suave mentira.

Mas as interrogações continuam, cada dia mais, cada segundo mais insistentes. Porquês, quens, ondes, a quens, para quês... Um amor que não se mostra. Que vive escondido, não aparece. Mas se sente, fica no ar como um doce perfume.
E o casal sonha como todos os casais, e sinceramente quer responder perguntas e na verdade não pode e não consegue e sequer sabe se quer e tenta e procura contar e mais uma vez não consegue e então desiste e a angústia aumenta quase como se faltasse o ar e o fôlego como todas as perguntas que não têm fim e continuam constantes intermitentes ‘que é que faz onde está quando vem porque esconde porque não mostra porque por quê porquê por que’

Eles têm em si todo os sonhos do mundo. E o sangue tem todos os sonhos para ele. E os sonhos não se encontram. E os porquês continuam, numa luta sem fim, sem porquê.
E não é crime, é só um amor! Mais um amor, como tantos pelas ruas. Mais um casal apaixonado. Mais uma troca de beijos e de olhares e de abraços. Mais promessas, mais planos.

Sem querer meu medo aumenta cada dia. Mais carinho, mais medo por aquele amor. Que sequer proibido é, que é tão puro e simples como qualquer um.
Um amor que o sangue vai ter que entender.

1.20.2005

Pensamentos de fada

Pensamentos são como seres alados, que voam e revoam e observam e rondam e um dia gotejam.
Como pequenas fadas coloridas, ficam em volta da minha mente... têm o cheiro, a cor, o sabor e o frescor de todo ele.

E essas fadinhas me acordam, sussurrando ao meu ouvido, que “ele também acorda, vem e acorda com ele, deseja bom dia!”. E em dias agitados ficam à espreita, tal e qual uma raposa: esperando qualquer momento de delicioso descuido, e lá vêem elas, com a lembrança daquele sorriso doce, daqueles olhos sensíveis, daquela risada gostosa. E à noite, quando até as fadas precisam dormir, elas já cansadas ainda arranjam um tempinho, e cochicham no ouvido, bêbadas de sono: “Ele também dorme, e veja só! sonha contigo, sonha que beija uma fada...”

E nas asas invisíveis desses pensamentos de amor consigo agüentar qualquer dia, todo dia. Sol brilhando, nuvens escuras, cheiro de chuva, terra seca, lua minguante, estrelas chorosas.
Não importa qual astro lá em cima.

Porque ele dorme bem, e as fadas tomam conta dele por mim.
Porque em pouco tempo, sou eu mesma que tomo conta dele.
Porque longe, perto, pertíssimo... ele é sempre meu, como eu dele, sempre em mim.
E então meu coração se mune de asas para voar até ele e jamais deixá-lo.

1.13.2005

Todos os beijos

Todos os beijos. Todos nele. Dele.
Difícil esquecer. Impossível não relembrar sonhar imaginar querer desejar amar.
Impossível não amar...

Acreditava eu jamais amar. Acreditava eu nunca conseguir desejar. Somente acreditava!
Fé vaga, fé errada... graciosamente, amorosamente errada.

Beijos que não cansam, apenas dançam... dança de línguas, de lábios, de gostos, de sopros. Sussurros e gemidos doces.

Todos os beijos. Ainda poucos, sempre poucos...
Para sempre dele, nele, para ele, somente ele...