Interrogações inundam o ar, os sonhos, os pensamentos, o tudo. O lar, o amor, o carinho, o sangue. Daquele próprio sangue vêem as perguntas. E de um medo frio surgem as respostas sem qualquer real resposta.
Um amor que não se conta, que se esconde no mais protegido dos locais: à frente de todos. Um amor sem beijos, sem abraços. Apenas de olhares, de leves sorrisos. Porque o sangue espreita, quer saber e pergunta e sem sequer saber machuca.
Esses laços vermelhos que apenas querem a felicidade de seu próprio sangue... que sequer imaginam.... Felicidade que todos notam, poucos desconfiam, nenhum sabe, todos querem. Ah, se soubessem que felicidade maior é não querer saber, é não se importar, não perguntar! Curiosidade que não quer ser saciada, que talvez nem suporte verdades, e é mais feliz na suave mentira.
Mas as interrogações continuam, cada dia mais, cada segundo mais insistentes. Porquês, quens, ondes, a quens, para quês... Um amor que não se mostra. Que vive escondido, não aparece. Mas se sente, fica no ar como um doce perfume.
E o casal sonha como todos os casais, e sinceramente quer responder perguntas e na verdade não pode e não consegue e sequer sabe se quer e tenta e procura contar e mais uma vez não consegue e então desiste e a angústia aumenta quase como se faltasse o ar e o fôlego como todas as perguntas que não têm fim e continuam constantes intermitentes ‘que é que faz onde está quando vem porque esconde porque não mostra porque por quê porquê por que’
Eles têm em si todo os sonhos do mundo. E o sangue tem todos os sonhos para ele. E os sonhos não se encontram. E os porquês continuam, numa luta sem fim, sem porquê.
E não é crime, é só um amor! Mais um amor, como tantos pelas ruas. Mais um casal apaixonado. Mais uma troca de beijos e de olhares e de abraços. Mais promessas, mais planos.
Sem querer meu medo aumenta cada dia. Mais carinho, mais medo por aquele amor. Que sequer proibido é, que é tão puro e simples como qualquer um.
Um amor que o sangue vai ter que entender.
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