Tinha medo, naquela infância boa, de dormir com a porta aberta. Ainda hoje não consigo. Não falava com pessoas estranhas. E hoje reluto em pedir informações ou perguntar as horas. Lagartixas arrepiavam minhas costas. Até agora tremo pela pele branca-transparente.
Fogo me fascina. Brinco com fósforos. Vou até o fundo no mar. Ainda não aprendi a nadar. Ando sozinha na rua, qualquer hora da madrugada. Não presto atenção nos carros. Não os enxergo. Me penduro das sacadas mais altas. Quisera saber voar.
Tenho medo de amores loucos. De beijos roubados. De paixões cegas. Me amedrontam vidas prisioneiras. Entro em pânico em apenas dormir com outra pessoa.
Meu medo é perder o controle, de cair. Não é de me atirar, se preciso for, caio de braços abertos. O que me apavora é cair sem saber.
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