E quem já adorou e perdeu sabe o que é um beijo desesperado. É a última possibilidade. A entrega quase total. O desejo de continuar, mesmo sabendo que não existe mais. Que talvez nunca existiu. Que possivelmente nunca existirá.
Quando a boca trêmula, salgada das lágrimas toca a outra boca... E nada é coordenado, o instinto toma conta. As mãos agarram a cabeça que sequer se move. A outra boca segue impávida. A língua tenta, procura corromper, provoca... e nada consegue.
O desespero do fim passa através da saliva. Os lábios tremem, os olhos choram. Tudo que sabem fazer. Tudo que podem fazer.
O último olhar é o pior de todos. Acabou, nunca existiu. O olhar de pena e compaixão do outro fere mais que qualquer arma. Machuca e dilacera. Ainda mais. Sempre mais.
Os braços tombam, o olhar procura o chão. Acabou, acabou! Será que existiu? Será que fui apenas eu?
Saliva, dor, amor, perda.
Perdendo amores.
Sofrendo dores.
Querendo ardores.
Salivando amores.
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