11.08.2004

Começo da noite

E o céu brincou com feixes de luz daquela cor que ele diz minha. Só para me provocar. Só para me lembrar.

E eu olhei o passado distraído, e admito que tive vontades. Era belo, apetitoso até. Mas era passado passageiro, ambíguo que sempre prometeu e jamais cumpriu. Como todos os outros passados.

Tudo foi apenas um presente. Uma lembrança. Um aviso.
Doce, como ele. Alegre, como ele. Dedicado como ele. Com aquela sutileza dócil que só ele.

Tudo calmo como poucas vezes antes. Eu, ele, o mundo, nós.
O passado fez de conta que não me viu. Fingi também. Brigas sem sentido nem razão nem rosto continuavam como sempre. Sorrisos bobos em horas loucas também.
Tudo como sempre. Louco e comum e irreal e utópico e indescritível e inesperado e... inconstante e imprevisível. Como eu. Como ele (?).

E então o céu escurecia, e os feixes morriam. Só para me dar saudades. Dissolviam o passado. Eu tremia. Era o fim do dia.

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