10.31.2004

Disléxico. Sem nexo. Sexo.

Foi por distração que aconteceu. Estava ali, sempre esteve. Bem perto dos seus olhos. Tanto que se podia ver a cor. Mas foi só quando chegou perto demais... quando pode ver exatamente as cores... exatamente os pontos amarelos e marrons... as linhas esverdeadas...
Foi ali.

Que o jardim teve cores mais claras. Que os sons eram mais suaves. E tudo pareceu... anormal. Diferente de um jeito bom. Tão complicado e tão simples. Tão clichê. Pareceu andar devagar. Pareceu que o vento sussurrava só para eles. Pareceu que o sol se escondia, brilhando só por eles.
Pareceu perfeito.
Pareceu.
Sempre parece.

- Porque libélulas são assim? Porque são tão leves, tão... tão libélulas?
- São pequenas fadas. Que fogem de nós. Nunca se consegue pegar uma... ficam apenas ali. Para que vejamos toda sua forte beleza frágil.

Beleza como aquela. Como a que surgia ali, naquele dia de sol atrás de nuvens, de brisa com cheiro de sal.
Beleza de dias assim, sem ter porquês.
Beleza frágil, que foge das paixões sanguíneas.
Beleza que estupra a própria beleza, tão fascinante se é.

Tão fascinante se pode ser.
Tão fascinante é.

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