10.08.2004

Nunca sempre

Jamais consegui esperar. Sempre acreditei que meu relógio andava mais devagar que o normal. Seu vidro é cheio de minúsulos arranhões. São as feridas de minhas unhas, a prova física da ansiedade.

Ando esperando os finais de semana. Descanso da vida. Descanso do mundo. Descanso até de mim. E em outros tristes braços, esqueço o irreal que me atormenta. E lembro do frágil real que me consola...

Me olho e vejo estranhezas. Ainda é o mesmo corpo. Ainda são os mesmos olhos. Ainda é a mesma pálida pele. Mas dentro daqueles raios verdes de meu olhar há novo algo estranho. Que não compreendo, e penso fundo se quero conhecer. Tenho sentimentos que não suporto. Sinto vontades que quero e não posso. Ainda não posso.

E toda essa minha ansiedade mata. Toda essa vontade nunca soube esperar. Sempre foi tudo hoje, tudo agora, tudo sempre, nunca nunca. Porque agora sei que preciso tudo nunca, nunca hoje, agora sempre... e então dura. E vai ser como queremos. E vai ser sempre sempre e não mais nunca nunca...

Mas os ponteiros se arrastam... e a areia não acaba... e a lua não chega, e o sol não se põe...
E meu relógio se machuca cada hora mais.

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