10.27.2004

Táctil desejo

Ele dá a cara para bater. E por isso algumas vezes lágrimas caem. E ele sequer esconde. É o preço que paga por dizer o que sente quando a maioria acha que devia esconder. "É cedo demais, é tarde demais..." é o que todos dizem.

Só que então ele pensa: "e o que é o tempo?" Quem estipulou quando é cedo, e quando é tarde? Teorias científicas dizem que o tempo não existe. Ele não sabe nada de física e ciências. Ele só sabe que o AGORA bate na porta forte demais, e ele vai abrir. Passado? Fica lá. Não dá para mudar. Futuro? Vai vir. É só esperar.

Porque é hoje que acontece. É esse segundo que ele vive, é agora que o sangue corre, é desse instante o desejo. O sol bate no rosto daquele jeito especial só nesse momento, depois acabou. E não acaba para sempre. Nunca acaba. Existindo uma vez, existe sempre! Vivo. Esquecido ou recordado. Salvo. Guardado e livre. Sagrado.

O presente-tempo é o presente-presente. Sentir cada toque suave da pele dela. Aspirar o perfume oriental nos cabelos dela. O sabor agridoce dos lábios. É pelas sensações tácteis que ele vive. É pelas visões dos olhos verdes-cinza dela que ele continua olhando o céu poluído cada dia. É pela promessa de acariciar a pele fria dela que ele levanta e vai.

Pela branca pele fria. Pelo inocente sorriso. Pelo olhar felino. Pelos dentes quase grandes demais. Pelas unhas afiadas.
Desafiando brandas inocências ferinas de sonhos deles.
Por desafio ele vive.
Por inocência ele resiste.
Por desejo ele continua.
Pelos sonhos ele luta.

Resistindo contínuas vidas lúgubres.
Por tudo e por nada.

Pela confirmação de um presente futuro.

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