Morde as mãos de dor.
Que nelas o sentir é físico, e a mente esquece do cigano coração, e se preocupa com o sangue que escorre pelos dedos.
Sangue vermelho rubro escarlate. Forte como jamais foi e sempre quis. Manchando o frio chão de dor e emoção.
Os alvos dentes rasgam a fina pele. As frágeis veias azuis despejam o espesso líquido que desliza pelas unhas, penetra em outras feridas, apaga cicatrizes, marca brancos braços, dóceis pernas e corações alheios.
Inocente instinto leva o vital soro à boca. O desejo entre os pálidos lábios se acende com o salgado calor. Bebe com sofreguidão desejo asco. Tem o sabor de toda história. SuaveSedosoNecessárioRepulsivo.
Vicia e repugna.
Ânsia de vômito e sexo.
Gotas domesticadas escapam pela boca agora carmim. A poça escarlate aumenta.
A boca sorri. Mostra dentes manchados. O peito não dói mais. Nunca mais.
A pele cada vez mais pálida. A poça pára de crescer. As mãos não dóem mais. Nada mais dói.
Sem dor. Sem sangue. Sem amor. Sem vida. Sem nada.
Nada mais. Nunca mais.
Jamais?
Nenhum comentário:
Postar um comentário