Porque eu já amei mais do que consegui agüentar. Já odiei mais do que admito. Porque já chorei mais que podia, e ri até a boca doer. Já pedi beijo. Já chorei por amor, por amizade, por raiva, para implorar perdão. Já quis fugir de casa para nunca mais voltar. E ainda continuo lá. Já me perdi na cidade, com vergonha de perguntar. E porque já passeei por cemitérios, naquele silêncio consolador. E já me queimei com fogo e roí as unhas e provei meu próprio sangue. E me obriguei a esquecer pessoas que não deviam ser esquecidas. E esqueci outras que quero lembrar. Já consolei amigos de toda uma triste vida. Já chorei por pena. Já menti por amor. Já falei sozinha. Já escrevi poesias fúteis e tive pesadelos.
Tudo porque sequer sei quem sou.
Talvez todos esses "já". Talvez nenhum "nunca". Talvez nunca. Talvez já.
Nunca se vá.
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