- Chove demais hoje, não acha?
- A chuva nada mais é senão o céu chorando.
- E porque o céu chora?
- A pergunta correta seria: “Por QUEM o céu chora?”
- Mas então me diz, por quem ele chora?
- Na verdade, minha criança, não é o céu que chora. Somos nós que choramos, e o céu é apenas uma extensão de nós mesmos. E sendo o céu, nada mais que nós, a pergunta volta: “Por quem NÓS choramos?”
- E por quem nós choramos?
- Nós, meu querido anjo, só choramos por nós mesmos. Choramos por nossas conquistas desgraçadas. Choramos porque somos felizes e sofremos; choramos porque somos como somos. Choramos porque amamos.
- E porque amamos?
- Amamos, meu doce amor, porque somente quem ama é capaz de fazer perguntas tais como “porque o céu chora”.
E então tu me dissestes que o céu chorava por amor. E que nós sofríamos quando chovia porque, na realidade, quem derramava lágrimas sobre o mundo éramos nós. E foi aí que descobri porque a chuva sempre foi minha grande obsessão. Porque sabia que quando o céu chorava, era por amor a mim. E quando as gotas de chuva lambiam meu rosto, era ele que chegava a mim e me tocava.
Eu lembrava todos os loucos monólogos (?) que tínhamos enquanto bebia um café frio e olhava mais aquela chuva pelos vidros sujos de lugar algum. Enquanto isso, o resto do mundo reclamava do frio amor. E as pessoas se irritavam com as poças de amor líquido que se formavam nas ruas. E o céu chorava mais pelo sentimento que elas não entendiam.
E ao perceber isso, agora era eu que chorava. Chorava por ver que o mundo e as pessoas não viam o gesto triste do céu, de derramar amor em forma de chuva. E lá fora ainda chovia. A vazão de emoções liquefeitas aumentava. E eu não podia ficar seca e protegida, ao ver que o mundo não compreendia que o céu chorava.
Mas me deixava ficar. E o café esfriava ainda mais. E os vidros ficavam cada vez mais imundos. E aquele lugar qualquer se enchia de pessoas que não entendiam a chuva. E eu não podia sair. Tenho que esperar... Mas acabo o café e preciso decidir. Lá fora chove, mas eu entendo. Aqui dentro é quente, mas sofro. Sofrerei também lá fora?
- Faltou uma parte do teu presente de aniversário.
Ele abre a caixa. Dentro, um pequeno frasco com gotas d’água.
- É o meu amor por ti.
Ela vai embora. Sempre chorando. Ele segura a caixa.
Lá fora, não chovia mais. Só aqui dentro.
- A chuva nada mais é senão o céu chorando.
- E porque o céu chora?
- A pergunta correta seria: “Por QUEM o céu chora?”
- Mas então me diz, por quem ele chora?
- Na verdade, minha criança, não é o céu que chora. Somos nós que choramos, e o céu é apenas uma extensão de nós mesmos. E sendo o céu, nada mais que nós, a pergunta volta: “Por quem NÓS choramos?”
- E por quem nós choramos?
- Nós, meu querido anjo, só choramos por nós mesmos. Choramos por nossas conquistas desgraçadas. Choramos porque somos felizes e sofremos; choramos porque somos como somos. Choramos porque amamos.
- E porque amamos?
- Amamos, meu doce amor, porque somente quem ama é capaz de fazer perguntas tais como “porque o céu chora”.
E então tu me dissestes que o céu chorava por amor. E que nós sofríamos quando chovia porque, na realidade, quem derramava lágrimas sobre o mundo éramos nós. E foi aí que descobri porque a chuva sempre foi minha grande obsessão. Porque sabia que quando o céu chorava, era por amor a mim. E quando as gotas de chuva lambiam meu rosto, era ele que chegava a mim e me tocava.
Eu lembrava todos os loucos monólogos (?) que tínhamos enquanto bebia um café frio e olhava mais aquela chuva pelos vidros sujos de lugar algum. Enquanto isso, o resto do mundo reclamava do frio amor. E as pessoas se irritavam com as poças de amor líquido que se formavam nas ruas. E o céu chorava mais pelo sentimento que elas não entendiam.
E ao perceber isso, agora era eu que chorava. Chorava por ver que o mundo e as pessoas não viam o gesto triste do céu, de derramar amor em forma de chuva. E lá fora ainda chovia. A vazão de emoções liquefeitas aumentava. E eu não podia ficar seca e protegida, ao ver que o mundo não compreendia que o céu chorava.
Mas me deixava ficar. E o café esfriava ainda mais. E os vidros ficavam cada vez mais imundos. E aquele lugar qualquer se enchia de pessoas que não entendiam a chuva. E eu não podia sair. Tenho que esperar... Mas acabo o café e preciso decidir. Lá fora chove, mas eu entendo. Aqui dentro é quente, mas sofro. Sofrerei também lá fora?
- Faltou uma parte do teu presente de aniversário.
Ele abre a caixa. Dentro, um pequeno frasco com gotas d’água.
- É o meu amor por ti.
Ela vai embora. Sempre chorando. Ele segura a caixa.
Lá fora, não chovia mais. Só aqui dentro.
Obs. análogas.: “Dias de chuva são tão bons quanto dias de sol. Ambos existem"
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